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NA MORTE DO EDITOR-POETA HERMÍNIO MONTEIRO
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Surpreendeu-nos (surpreende sempre), o
desaparecimento súbito (porque súbita e inesperada é sempre a morte dos
poetas), do editor-Poeta, Hermínio Monteiro. Enquanto responsável pela Editora
Assírio & Alvim, era em Hermínio que os poetas encontravam o aliado e
cumplíce para as ocasiões sublimes. |
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Esta página destina-se a divulgar as actividades do Movimento
Surrealista em Portugal e no Mundo. Aos seus múltiplos detractores e adversários, gente na sua
maioria, encerrada nos
cemitérios das artes e das letras, àqueles que, no campo intelectual ou
outro, abandonaram o
espírito e actuação libertárias, para se converterem em
escribas e ilustradores da sociedade burguesa, tecnocrata e mercantilista,
respondemos
com toda a veemência: a nostalgia que nos anima é a que se dispôe a
procurar no passado, os sinais para uma
actuação continuada no presente e no futuro. As condi ções, quer políticas, sociais, culturais e morais, que
levaram alguns
poetas, artistas e filósofos, a fundir um processo de
reinvenção poética e uma actuação contra as
desigualdades e a miséria social do homem, num movimento
dialéctico
de emancipação geral do Espírito visando a
transformação
da realidade - mudar a Vida (Rimbaud), transformar o
Mundo (Marx),
continuam presentes e em muitos aspectos, tenderam mesmo a agravar-se com a
ascensão do neo-liberalismo
e a implantação por toda a Europa e noutras partes do Mundo, das teses da
globalização da economia. À queda do estalinismo na exURSS, sucedeu-se a súbita
ascensão de uma nova
classe de burgueses novos ricos,
suportada e financiada pelo capitalismo norte-americano e pelas grandes
corporações mundiais (globalização).
Ao capitalismo de estado de partido único, sucedeu-se o caos provocado por um
capitalismo àvido em tirar
proveito da situação de empobrecimento do proletariado russo. Opostos a esta via redutora do Surrealismo, e sem nunca excluir, muito
pelo
contrário,
o uso, multiplicação e aprofundamento de todos os processos e formas de
expressão que
contribuam para materializar os impulsões criadoras, defendemos com
André Breton, uma "capacidade ilimitada de recusa", na vida
como
na arte -uma atitude de insubordinação permanente contra todas as
regras
e poderes constituídos, os quais, independentemente das ideologias e dos
dogmas
morais dominantes, dos partidos ou igrejas que os veiculam,
procuram subjugar o Homem e subordiná-lo aos seus interesses - uma
atitude de
revolta contra todas as formas de exploração e
alienação. Reafirmando o primado da Poesia, o mesmo é dizer, do direito
à LIBERDADE
e ao AMOR TOTAIS, contra uma existência servil de submissão aos
mitos
glorificados, da Pátria, da Família, da Escola e do Trabalho, o
Surrealismo
nunca se deixou emparedar em qualquer museu, instituto ou faculdade. As suas
armas são as que assentam numa forma de pensar e de agir contra todas
as formas de sujeição do Espírito e subordinação
do homem pelo homem,
sejam económicas, sociais, politicas, religiosas ou outras. CM
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